Ato falho
Por Sandra Regina S. M. Wolffenbüttel*
Utilizamos o termo Ato Falho quando, do ponto de vista da vontade consciente ou da Consciência, acontece um erro na fala, um engano ou esquecimento na memória, um comportamento, uma ação física equivocada que,neste caso, ocorre como resultado de uma manifestação do Inconsciente, daquilo que o indivíduo desconhece de si mesmo, que tem origem e emerge das profundezas de seu psiquismo: através do ato falho o desejo do Inconsciente é realizado.
O Ato Falho, em determinadas situações, é uma das manifestações mais evidentes do Inconsciente, como, por exemplo, quando o marido por engano chama a esposa pelo nome da amante ou entrega à esposa o paletó para lavar deixando esquecida no bolso a fatura com a despesa com a amante no motel.
Sigmund Freud, em seus estudos sobre o Inconsciente, reconheceu o fenômeno e o descreveu, em 1901, no seu livro A Psicopatologia da Vida Cotidiana. Os atos falhos diferem do erro comum, pois possuem significado e resultam da formação de um compromisso entre o Inconsciente e o Consciente.São manifestações do que foi reprimido da Consciência e que, deste modo, como um “engano”, podem aparecer, revelando a intenção Inconsciente, e serem satisfeitos. Como expressa o consagrado “sem querer, querendo”, do personagem Chaves.
* Sandra Regina S. M. Wolffenbüttel é psicanalista da Sociedade Psicanalítica de Porto Alegre.
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